Brasil, século XVII.
Fazendas de açúcar. Minas. Quilombos caçados.
Brasil, século XVII.
Fazendas de açúcar. Minas. Quilombos caçados.
No centro do pátio, sob o sol impiedoso, estava o tronco.
Feito de madeira bruta, pesado, áspero, o tronco não era apenas um instrumento de castigo. Era um símbolo oficial do poder escravista, usado diariamente entre os séculos XVI e XIX, do período colonial até o Império do Brasil.
Homens, mulheres e crianças negras eram imobilizados ali.
Pés, mãos ou o pescoço presos.
O corpo curvado à força.
A dor constante.
O tempo passando devagar demais.
Alguns ficavam horas.
Outros, dias.
Não havia pressa.
O sofrimento precisava ser visto.
O objetivo não era apenas punir uma suposta “desobediência”.
Era quebrar o espírito, ensinar pelo medo, transformar a dor individual em aviso coletivo.
Quem passava, via.
Quem via, aprendia a obedecer.
Muitos eram colocados no tronco após tentativas de fuga. Outros, por falarem demais. Por resistirem. Por manterem sua cultura, sua fé, sua dignidade africana.
O tronco ensinava uma lição cruel:
ali, o corpo negro não era dono nem de si.
Mas mesmo ali, no limite da violência, houve resistência.
Resistência silenciosa.
Resistência no olhar.
Resistência na memória.
O tronco caiu com o fim legal da escravidão em 1888, mas seus efeitos não desapareceram. Eles atravessaram gerações, moldaram desigualdades, deixaram marcas profundas que ainda ecoam.
Lembrar o tronco não é abrir feridas por ódio.
É impedir que o esquecimento normalize a barbárie.
Porque uma história não contada…
sempre corre o risco de se repetir.
🖤 Memória é justiça.
🖤 Esquecer nunca foi opção.

