JOÃO LOURENÇO – O PRESIDENTE QUE VEIO COMO ESPERANÇA E VAI COMO DESILUSÃO

JOÃO LOURENÇO – O PRESIDENTE QUE VEIO COMO ESPERANÇA E VAI COMO DESILUSÃO

JOÃO LOURENÇO – O PRESIDENTE QUE VEIO COMO ESPERANÇA E VAI COMO DESILUSÃO

2017 até 2027. Dez anos. Dois mandatos.

Em 2017, quando João Lourenço subiu ao poder, Angola chorou de esperança. O povo estava cansado de 38 anos do mesmo rosto. Quando ele disse combate à corrupção, repatriamento de capitais, que ia tirar Angola da lista de famílias, que ia diversificar a economia, o povo acreditou. O povo saiu à rua. Chamaram-lhe o reformador. O novo salvador.

Prometeu que ia acabar com a corrupção. E no começo prendeu alguns tubarões. O povo bateu palma. Mas depois o povo percebeu que só prendia os tubarões do outro lado. Os tubarões do seu lado continuavam a comer. O combate à corrupção virou arma política. O dinheiro que devia voltar nunca voltou. O repatriamento foi uma piada.

Prometeu diversificar a economia. Dizer que Angola não podia viver só de petróleo. Mas hoje, em 2026, Angola continua a viver só de petróleo. Quando o petróleo sobe, o país respira. Quando desce, o país morre. Onde estão as fábricas? Onde está a agricultura que ia alimentar Angola? Onde está a indústria? O campo continua abandonado. O jovem continua sem enxada e sem terra. Importamos tudo. Até água. Até palito de dente.

Prometeu emprego para os jovens. Hoje o jovem angolano é o mais desempregado de África Austral. O jovem com licenciatura vende saldo na rua. O jovem com mestrado virou motoqueiro. O jovem sem escola entrou no garimpo ou no crime porque o estado não lhe deu alternativa. E quem pode, foge. Milhares de angolanos hoje estão a lavar pratos em Portugal, a limpar casas no Brasil, a dormir em contentor em França. Não porque querem. Porque aqui não há futuro.

Prometeu saúde e educação. Mas vai ao Hospital Américo Boavida . Vai à maternidade e a mulher dá à luz no chão. Vai à escola pública e a criança estuda debaixo de árvore. Enquanto isso, quem tem dinheiro vai se tratar em Portugal, em Espanha, na Clínica Girassol que só rico entra. O filho do governante estuda na Inglaterra. O filho do povo estuda sem livro.

Prometeu liberdade. No começo o povo podia falar. Mas depois quando o povo reclamou do preço do arroz, recebeu bala. Quando o povo reclamou da fome, recebeu gás lacrimogêneo. Quando os taxistas reclamaram, foram presos. Quando a juventude marcou manifestação, a polícia fechou a estrada. A esperança que era voz virou silêncio com medo.

E a fome. Em dez anos, Angola nunca teve tanta fome. um pai explica ao filho que não tem pão? O povo não está a viver. Está a sobreviver. A mendigar no próprio país rico.

João Lourenço não é um homem mau. Ele tentou. Mas tentou mal. Cercou-se de pessoas erradas. Governação de escritório, sem ouvir a rua. Governação de estatística bonita na televisão, mas barriga vazia na realidade. Deixou o MPLA mais isolado do povo do que nunca. Hoje o povo não tem raiva do MPLA. Tem indiferença. E indiferença é pior que raiva.

Ele vai sair em 2027. Dez anos depois. E o que vai deixar? Uma dívida externa de mais de bilhões. Um país com mais desemprego, mais fome, mais jovens a fugir, mais hospitais sem remédio, mais escolas sem carteira.

Em 2017 ele recebeu um país com esperança moribunda do passado. Em 2027 ele vai entregar um país com esperança moribunda do futuro. Porque o povo já não acredita em presidente. O povo acredita em Deus e em fugir.

Angola não precisava de um presidente que trouxesse esperança. Precisava de um presidente que trouxesse pão. E pão não veio.

A história vai julgar. E o povo já julgou na barriga vazia.

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Published by EZIOKWU BU MDU

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